Enquadro do dia
Oi, eu sou a Amanda, (quase) administradora, mas também aquela pessoa (chata?) que sempre que viaja, procura os museus da cidade pra conhecer, e, vai em exposição de arte mesmo quando é na capela da faculdade. O propósito dessa página é compartilhar um quadro com vocês por dia (ou quando eu lembrar ou quando eu me inspirar) e contar um pouco da história dele e/ou do contexto em que foi realizado.
09/22/2017
Nighthawks (Gaviões da noite) - Edward Hopper
1942 (óleo sobre tela, 84,1 x 152,4 cm)
Existe um café aberto durante a noite. Pessoas dentro desse café. Uma rua deserta do lado de fora. Hopper foi um pintor americano que costumava pintar a solidão nos novos espaços urbanos. Esse quadro começou a ser pintado após o episódio no Pearl Harbor, durante a 2ª Guerra Mundial, quando o sentimento era de incerteza e tristeza nos Estados Unidos.
Podemos notar a contradição existente e demonstrada entre o lado de dentro e de fora do café, retratando um senso de isolamento, alienação. Dentro do café, a vida continua; as pessoas, mesmo que inertes, estão sob uma luz forte, as roupas são de tons intensos, em contraste com a escuridão e ausência de vida na rua. Também podemos reparar que o café não tem portas! Mais uma vez, a noção de isolamento, alienação se demonstra.
E as pessoas? Vemos uma mulher ao lado de um homem e os dois de frente para outro cliente. Ao mesmo tempo, um garçom que pode estar olhando para qualquer um deles. Porém, não há nenhuma indicação de contato ou relacionamento entre ninguém.
Hopper quis demonstrar a alienação, não só de uma pessoa em relação à outra, mas de todos em relação ao mundo exterior, evocando a solidão, inerente a todo o ser humano.
Mas no fim das contas, não estamos todos sozinhos?
Sugestão do Marcelo =)
Quer ver um quadro aqui? Deixe um comentário.
09/06/2017
O Talismã - Paul Sérusier
1888 (óleo sobre madeira, 27 x 21 cm)
Esse quadro, à primeira vista, é apenas um monte de pincelada de cor chapada e difusa. Mas e se eu te disser que há aí: um rio, cujas águas refletem uma floresta de faias amarelas e uma casa de moinho azul, você vê?
Paul Sérusier pintou esse quadro sob a supervisão de Paul Gauguin, muito conhecido pelo uso da cor, e foi esse quadro que inspirou o surgimento do grupo Les Nabis, "Os profetas", formado por Sérusier, Vuillard, Denis, Bonnard e outros artistas, pois procuravam ser "profetas" de uma nova arte, com uso de cor, de sentimentos e em uma concepção decorativa, contrapondo-se em tudo que a arte clássica e acadêmica trazia.
Esse quadro surgiu de um diálogo, em que Gauguin disse a Sérusier: "Como você vê essas árvores? Elas são amarelas. Então, coloque-as em amarelo!"
O grupo Les Nabis foi um dos precursores do fauvismo, aquele movimento do qual Matisse fez parte e nos brindou com seu quadro "A dança ", já enquadrado aqui.
08/19/2017
Chá da tarde (Afternoon tea) - Marie Bracquemond
1880 (óleo sobre tela, 81,5 x 61,5 cm)
Essa obra retrata a irmã da artista, Louise, lendo um livro com uma xícara e uvas na mesa, num chá da tarde. Marie começava, nessa época, a utilizar a pincelada mais solta e cores mais melancólicas, características do impressionismo, estilo pelo qual ficou conhecida, após conhecer Degas e Monet.
Chá da tarde é um exemplo das pinturas que Marie costumava pintar: cenas domésticas, paisagens, retratos e naturezas-mortas. Não por gosto pessoal, mas porque as mulheres tinham pouquíssimo espaço na arte nesse período (foi no Impressionismo que os primeiros nomes femininos surgem na arte - Mary Cassatt, Berthe Morisot, Eva Gonzalès; não sem resistência).
Marie foi aluna de Ingres, o pintor do "enquadro" de ontem, e falou que "ele duvida da coragem e perseverança de uma mulher na pintura. Ele nos dá apenas pinturas de flores, de frutas, de natureza morta, retratos e generalidades". Além disso, foi casada com um pintor que não gostava do Impressionismo e criticava constantemente seus quadros, o que a levou a desistir de pintar 26 anos antes de morrer.
Conheça e valorize mulheres na arte!
08/17/2017
A dança - Henri Matisse
1909 (óleo sobre tela, 260 x 389 cm)
Fauve! Selvagem! Esse foi um dos nomes usados para referir-se à obra de Matisse. Apesar do tom pejorativo, ele e outros artistas logo se nomearam fauvistas, pois buscavam "uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes". Seus quadros são alegres, de formas simples, cores fortes e chapadas, pinceladas largas e contornos grotescos, buscando traduzir sensações elementares, inocentes e selvagens.
Esse quadro expressa isso. Expressa a alegria: por meio de cinco dançarinos que não se importam com a sua presença, tão próxima deles; a despreocupação: não é possível saber o que o fundo representa, o quadro demonstra profundidade mas parece plano ao mesmo tempo; e movimento: por meio das mãos separadas dos dois dançarinos que estão mais próximos de nós, porém não quebram a continuidade da cor, e, além disso... você consegue imaginá-los dançando na sua frente?
Uma noite "fauve" pra vocês.
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