𝗣𝗿𝗶𝗻𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗼𝗯𝗷𝗲𝘁𝗶𝘃𝗼 𝗱𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗩𝗶𝗴𝗶𝗹𝗛𝗮𝘁𝗲:
Este projeto aborda um desafio social chave que enfrentamos em todo o mundo: como prevenir e combater o discurso de ódio online, em particular contra os imigrantes. Especificamente, este projeto centra-se no papel dos cidadãos comuns que testemunham passivamente o discurso de ódio sem o reportar. Tal comportamento passivo contribui para obscurecer a real ma
gnitude destes crimes e para legitimar e perpetuar informalmente a sua ocorrência. Assim, o objetivo deste projeto é estudar e testar mecanismos para aumentar a autorregulação moral no sentido de monitorizar e denunciar o discurso de ódio online, capacitando os cidadãos sobre a sua responsabilidade no processo de denunciar o discurso de ódio online, diminuindo a apatia do espectador. Esperamos que este projeto contribua para a promoção de uma utilização mais responsável das redes sociais, com maior preocupação com o respeito pela dignidade humana, a justiça social e os valores democráticos.
𝗥𝗲𝗹𝗲𝘃𝗮̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗩𝗶𝗴𝗶𝗹𝗛𝗮𝘁𝗲:
O discurso de ódio online tem consequências graves, tanto a nível individual como social. Com efeito, para além dos efeitos no bem-estar psicológico das vítimas, enormes custos sociais, como a normalização da discriminação, intolerância, polarização e violência entre cidadãos, podem ser consequências deste fenómeno, ameaçando a coesão social, bem como o respeito pelos valores fundamentais europeus. No entanto, o discurso de ódio online é altamente difícil de detetar por muitos motivos, e é quase impossível saber a real extensão de tais crimes. Consequentemente, torna-se difícil agir de forma eficaz contra eles. Apesar da preocupação das autoridades nacionais e internacionais em criar medidas preventivas e de combate, os mecanismos institucionais de controle social existentes têm mostrado ser ineficazes ou pelo menos insuficientes, visto que o fenómeno parece estar a crescer e a agravar-se. Além do papel dos infratores (ou seja, o autor do mau comportamento) e das vítimas no agravamento deste fenómeno (por exemplo, ao não denunciarem o caso), enfatizamos a importância e o papel determinante de uma terceira parte implicada: as testemunhas ou espectadores. As pessoas que testemunham estes crimes não são responsabilizadas e, frequentemente, não se sentem socialmente responsáveis por denunciá-los. Este comportamento “silencioso” das testemunhas é socialmente, politicamente e legalmente negligenciado, não é discutido socialmente, as pessoas não estão cientes da sua existência, do seu próprio comportamento preconceituoso e das consequências deste preconceito para a sociedade. A maioria dos projetos e programas de intervenção para prevenir e combater o discurso de ódio online concentra-se nas vítimas - para encorajá-las a denunciar - ou nos criminosos - para desencorajá-los de tais práticas. No entanto, pouca (ou nenhuma) atenção foi dada aos espectadores, ou seja, àqueles que, passivamente ou não, testemunham o mau comportamento online. Ao deixar de denunciar o discurso de ódio online, os cidadãos estão a contribuir, indiretamente, para legitimar e perpetuar a sua ocorrência e para o uso indevido das redes sociais, uma vez que o “silêncio consente”. Na verdade, tal comportamento passivo ou não-intervencionista de espectador pode representar, por si só, uma prática indireta, mas não menos consequente, discriminatória contra grupos socialmente vulneráveis.