Xperienz

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A Xperienz é a primeira consultora portuguesa dedicada exclusivamente à experiência de utilização, design de interacção e usabilidade.

01/04/2026

Saiu ontem o relatório anual WebAIM Million que analisa a acessibilidade de um milhão de homepages. Tanto o número de problemas de acessibilidade detectados, como o número de páginas com falhas no cumprimento dos critérios do WCAG aumentaram. Seria de pensar que a entrada em vigor de novas leis de acessibilidade (especialmente na Europa) e uma maior sensibilização para esta temática contribuíssem para uma melhoria geral, mas não. Os problemas aumentaram face aos últimos seis anos, nos quais se tinham registado melhorias graduais.

Duas das preocupações apontadas são o aumento da complexidade das homepages e do uso de elementos ARIA, que estão relaccionadas com o aumento do número de erros detectados. Estas parecem reflectir mudanças recentes no desenvolvimento web, com uma maior dependência de frameworks e bibliotecas de terceiros e práticas de código automatizadas ou assistidas por IA (vibe coding).
Páginas maiores e mais complexas são mais difíceis de tornar (e manter) acessíveis.
Quanto aos elementos ARIA, parece haver uma ideia generalizada entre os developers de que são a chave para tornar as páginas acessíveis. Não são. A regra deve usar elementos nativos sempre que possível.

Que passos então para o futuro? Melhores práticas de acessibilidade passam necessariamente pela sensibilização e formação de designers e developers. É igualmente essencial simplif**ar sistemas e processos, ou garantir que, mesmo quando complexos, mantêm o foco nos princípios fundamentais de acessibilidade. Só assim será possível escalar a acessibilidade de forma consistente e sustentável.

05/03/2026

Esta semana, numa das nossas sessões de formação em acessibilidade, um aluno perguntou como se poderiam tornar as máquinas que imprimem senhas de vez mais acessíveis. E isto desencadeou uma discussão sobre a importância de uma visão holística no desenho de experiências, que é ainda mais fundamental quando estamos a querer tornar um mecanismo acessível. Podíamos olhar apenas para a experiência da máquina, mas uma visão abrangente permite-nos assegurar uma melhor experiência. Vejamos um exemplo de uma máquina destas num banco:
1) Em primeiro lugar preciso de saber que estou na agência bancária correcta. Por isso preciso de um letreiro em braille à porta com pelo menos o numero de porta e nome do banco e agência. O horário também seria simpático, mas também pode ter um QR code com essa informação. A entrada devia também ter uma textura no chão a identificá-la e já agora ser acessível para cadeiras de rodas.
2) À entrada preciso de saber onde está a máquina. Um mapa em relevo com a disposição da agência é muito util. A partir daqui uma textura no chão pode direccionar até à máquina.
3) Tipicamente estas máquinas têm agora ecrãs tácteis. Além de terem um bom contraste (preto no branco), os botões devem ser grandes. Para que pessoas cegas consigam usar convém que a máquina verbalize a escolha. Ou tem esta característica sempre activada ou deverá ter um botão para activar as características acessíveis, que começa a ser de uso standard. Outra alternativa é a máquina ter um NFC ou QR code que active uma página Web com senha virtual e que possa enviar uma notif**ação ao utilizador.
4) Depois o utilizador precisa de saber quando é a sua vez. O típico ecrã que apita não é suficiente. Tem de ser verbalizada a senha activa e o número do balcão. Ou usar a app mencionada anteriormente.
5) E agora como sei qual é balcão onde me devo dirigir? Aqui posso novamente ter um mapa ou o balcão em questão pode emitir um som localizador. Tem é de se ter cuidado com a sobreposição com outras chamadas que aconteçam ao mesmo tempo.
Como se pode perceber, uma visão holística implica olhar para múltiplos factores e poderá implicar a integração com outros sistemas e a criação de artefactos físicos. Mas é essencial para que se possa proporcionar uma boa experiência.

13/02/2026

Como assim Auditorias de Acessibilidade… Instantâneas?? Muitas empresas estão a preparar-se para integrar a acessibilidade nos seus ciclos de desenvolvimento. Mas começar é complicado. O primeiro passo costuma ser uma auditoria, mas tipicamente demora várias semanas e resulta num PDF que é enviado a toda a gente na equipa. Se o documento for tendo várias versões então é um inferno saber se estamos a trabalhar com a última informação. Nós passámos por isto com alguns clientes e achámos que podíamos melhorar este paradigma. Por isso connosco as Auditorias de Acessibilidade são instantâneas. Mal registamos um problema de acessibilidade ele f**a imediatamente visível para o cliente e pode começar a trabalhar na sua resolução naquele momento. E o problema identif**ado não vem acompanhado de uma descrição críptica. Tem um nome claro, uma breve descrição do que está a acontecer por causa do problema e uma indicação de resolução extremamente clara para a equipa de desenvolvimento. Não precisam de perceber nada da componente técnica da acessibilidade. Mas à medida que vão corrigindo os problemas vão aprendendo. E esta é a melhor forma também de capacitarem as vossas equipas. Com as mãos na massa.

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