Duarte Marques

Duarte Marques

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23/11/2025

Na casa calada, onde o vazio respira alto,
procuro-te nos cantos que a sombra não abandona.
És a ausência que trespassa, o golpe que não cessa,
o riso apagado que o tempo engoliu sem piedade.

Os dias avançam lentos, desfazendo-se como folhas secas,
e a saudade sobe em ondas, puxando-me para o fundo.
Cada memória tua é lâmina fria
e a vida pesa mais desde que te não alcanço.

Vejo-te nos sonhos, onde ainda me chamas,
mas desperto molhada de lágrimas e de perda.
O mundo continua, surdo ao que me falta,
e eu permaneço presa no minuto exacto em que te foste.

Brilhas agora no alto, luz teimosa na vasta noite,
presença que guardo cerrada no peito ferido.
Nenhuma coisa viva preenche o que deixaste,
e a esperança tremula como chama à mercê do vento.

Querer-te de volta é desejar o impossível do destino,
mas é esse impossível que me sustém o pulso.
Resta-me acender-te por dentro, cada dia,
como quem protege uma luz frágil no meio da tempestade.

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