Rodrigo F. Rocha
22/04/2026
OAM
Ao longo das últimas semanas, optei por acompanhar de forma atenta e discreta o processo eleitoral da Ordem dos Advogados de Moçambique, procurando formar uma convicção informada a partir das propostas, dos debates e do posicionamento público das diferentes candidaturas.
Feita essa análise, entendo que o momento actual da Ordem exige mais do que continuidade: exige liderança, organização e uma visão clara para a valorização efectiva da profissão.
Nesse contexto, decidi manifestar publicamente o meu apoio à candidatura liderada por Stayleir Marroquim, que integra igualmente Abdul Carimo Issa e Marta Martins.
Este apoio assenta na convicção de que esta equipa demonstra não apenas competência técnica e experiência profissional, mas também capacidade de liderança e sentido institucional, sendo esses elementos que considero essenciais para reforçar o papel da Ordem, dignificar a classe e responder aos desafios que hoje se colocam à advocacia em Moçambique.
Acredito que é tempo de uma Ordem mais estruturada, mais interventiva e mais alinhada com os interesses dos advogados e da sociedade.
É com esse espírito que assumo esta posição.
11/11/2025
Entre a Ética e a Aparência: a Caneca de Nuvunga
Adriano Nuvunga é um conhecido activista social e director do CDD – Centro para a Democracia e Desenvolvimento –, uma organização da sociedade civil que, ao longo dos anos, tem-se destacado na defesa dos valores da transparência, da ética e da deontologia na governação pública. É alguém que se posiciona, de forma insistente e, por vezes, provocatória, como guardião da moral política e da integridade das instituições do Estado.
Todavia, há um episódio recente que merece reflexão — não sobre o processo-crime em que o próprio é arguido, acusado de declarações que teriam posto em causa a honorabilidade do líder da oposição. Esse processo seguirá o seu curso normal nos tribunais e será decidido nos termos da lei. O que importa aqui é o gesto simbólico, o acto público e a mensagem que ele transmite.
Faz sentido que alguém que está a ser julgado, e que aguarda uma decisão de magistrados que, em última instância, respondem hierarquicamente ao Presidente do Tribunal Supremo, procure – neste exacto momento – uma aparição mediática ao lado dessa mesma figura, oferecendo-lhe uma caneca personalizada e posando para fotografias amplamente divulgadas nas redes sociais?
Será este o exemplo de prudência, de recato institucional e de ética republicana que se espera de quem se apresenta como arauto da transparência e da moralidade pública?
Mais do que um gesto inocente, a iniciativa de Nuvunga cria um desconforto simbólico. Coloca em causa a percepção de distância e imparcialidade que deve existir entre quem é parte num processo judicial e a mais alta instância do poder judiciário. Independentemente das intenções, a imagem criada é de proximidade e possível conivência – e isso, por si só, já seria suficiente para suscitar desconforto numa sociedade que busca fortalecer as suas instituições e restaurar a confiança na Justiça.
Quem exige ética deve ser o primeiro a praticá-la em todos os planos – inclusive, e sobretudo, nos momentos em que ela lhe é mais inconveniente. A coerência não é apenas um princípio de moralidade: é a base da credibilidade. E, neste episódio, Adriano Nuvunga, infelizmente, colocou-se numa autêntica “saia justa” – entre o discurso e a prática, entre o que defende e o que simbolicamente contradiz.
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