Comprando pela capa

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Photos 01/05/2021

Me disseram que esse livro era sobre luta e pertencimento, mas eu havia imaginado algo completamente diferente. Bom, problema meu, né?! hahahaha
Munidas pela curiosidade, as irmãs Belonísia e Bibiana finalmente descobrem o que Donana, sua avó, guardava com tanto esmero e segredo dentro de sua mala de couro: uma faca, objeto que as cortariam tantas vezes depois.
Torto arado é dividido em 3 partes: uma narrada por cada irmã, e a última por uma Encantada. Cada parte traz, com riqueza de detalhes, como é para incontáveis famílias viver, ainda hoje, em situação análoga à escravidão. Ter o pertencimento à terra subjugado à vontade de um patrão que menospreza tudo ali, menos o lucro proveniente da força de trabalho daquelas pessoas. Alguns tentaram sair em busca de novas perspectivas, mas se viram presos a uma realidade desigual e limitada. Torto arado é um livro didático sobre preconceito e apagamento da cultura e da fé dos povos quilombolas e suas noites de Jarê, sobre como uma população minimamente organizada pode incomodar os "grandes". E é, sobretudo, sobre a força, resiliência e resistência feminina, que aprendeu a dureza da vida desde cedo e a se impor perante as violências diárias. A união e o apoio entre mulheres que entendem que a elas foi destinada a posição social mais difícil.
É sim uma estória de luta, pertencimento, injustiça, solidariedade e fé, elaborada de maneira poética sobre a vida de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, sobre os Encantados do povo da chapada Diamantina, e sobre a luta enfrentada por essas pessoas.
Enfim, um livro com camadas demais. Não consegui destrinchar numa resenha tão simples. Não é à toa que levei meses pra escrever qualquer coisa. 🤭🤭🤭

Photos 11/03/2021

Dias&Dias&Dias e ainda não sei como resenhar esse livro (ou qualquer outro). Ano passado, leituras mínguas; este, poucas palavras. Será que em algum momento a gente volta ao "normal"? ("O futuro, essa falácia que persiste")
Comecei esse livro ano passado, pro , adorei, me encantei, mas não persisti. O mesmo aconteceu com inuuuuuumeros outros. Esse ano dei uma nova chance, aproveitei o enredo ainda fresco na cabeça, e que livro es-pe-ta-cu-lar. A ascensão e a ruína da família de Omar e Yakub pareada à história de Manaus, incesto, briga, disputa, inveja e condescendência.
A loucura da mãe pelo filho, do marido pela esposa, do irmão que foi enviado sozinho ao Líbano, da irmã que não enxergava o limite do amor fraternal. Esse é só um dos núcleos do enredo. Ainda há Domingas, representação da "escravidão moderna", consequência do que foi feito aos povos originários do Amazonas, e seu bastardo, narrador misterioso, que vai deixando inúmeras pistas, mas só se revela completamente no final. Fora toda a descrição, do desenvolvimento ao abondono, de Manaus, que carregou tantas promessas que não vingaram.
Enfim, primeiro livro que li do Milton Hatoum, melhor leitura do ano até agora. 🌿

Photos 23/01/2021

Oi, gente, tudo bem?
Há poucos dias falei aqui sobre ressaca literária e como ler um conto bem água com açúcar me ajudou a achar a motivação que me faltava kkkk. A autora tem vários trabalhos disponíveis na Amazon, então resolvi insistir na ideia. Comecei esse livro em dezembro, mas só terminei agora em janeiro. Bem, se aquele foi um clichê que eu amei, aqui nós temos exatamente o que pode ser "o problema das estórias óbvias demais": elas precisam ser muito boas para dar certo. Pode parecer muito fácil sentar e reescrever um plot que já foi escrito milhares e milhares de vezes, mas é exatamente esse o ponto, conseguir trabalhar o enredo de uma maneira que não seja clichê até demais.

Aqui, conhecemos a estória de Élodie e Kyllian. Eles se conhecem ainda crianças, brigam, juram se odiar para o resto da vida, mas no final... vocês já sabem. Como deixar uma estória assim envolvente? Você precisa ter uma ideia muito clara do que você quer fazer e do que você quer colocar no enredo. Algumas coisas me incomodaram bastante, como insinuar que o cara é gay a fim de provocá-lo e desmoralizá-lo. Já deu, sabe?! Certas coisas não precisam se reforçadas.

Enfim, ainda tenho vontade de conhecer os trabalhos mais longos da autora, mas esse aqui não amei. Ainda assim, vale a leitura para passar o tempo. :)

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