JOAO CHOA
03/04/2026
SÃO LÁGRIMAS QUE CAEM, MAMÃ!!
Depois da escola terminar,
depois da escolha minar,
a opção de alguém me ajudar.
Chorei no lençol,
mas tive que acordar,
eu nunca vi-me a estar,
neste pedestal...
Sonhava-me engravatado,
a passear na marginal,
hoje estou esfarrapado,
a pedalar na marginal.
Depois da história
mudar,
minha memória,
parou o meu corpo pra pensar...
Daquele tempo mamã,
em que ao regressar da escola,
perguntavas
onde é que me quero formar,
falavas de cargos e profissões,
e eu até, tinha ousadia de negar.
Concluído o ensino secundário,
era um mar de planos a fermentar...
Realizado o último estágio,
de colega já me estavam a chamar...
— " Eu não era o Sócrates Moçambicano?"
O funcionário que toda
gente quer contratar?
Hoje, sem base,
o Sócrates passa fome.
E os que me chamavam de colega,
chamam de táxi,
e quando se recordam,
perguntam o meu nome?
Então mamã, essas
são as lágrimas que caem, mamã!
E a cada uma lágrima que cai
é por eu não ter nascido
no lado morto...
e se não me estou a enforc*r,
é por valorizar o teu colo...
Do útero, e a tua esperança...
Não é por mim, é pela graça
do Filho
" que lhe ofereci a desgraça".
Se, eu não tomo a última decisão,
é porque eu levo bagagem dos outros...
Os meus sonhos sofreram circuncisão,
se acordo não é por mim, é pelos nossos.
Então vou pedalar,
até acabarem-me os ossos,
de táxi podem me chamar,
eu vou vos levar...
Como um dia gostaria,
de poder levar os meus sonhos!
Autor: JOHN CHOA
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