Marta Alwrite
05/05/2026
Hoje, a Inês faria anos. 5 de Maio de 2004 é talvez a data mais marcante na vida da minha família - certamente, da minha vida. Para quem me acompanha há menos tempo, a minha irmã Inês nasceu com paralisia cerebral, com 98% de incapacidade, em 2004. A minha vida existe no antes e depois da Inês, nunca porque a Inês tinha uma deficiência, mas por tudo o que trouxe com ela. Um mundo que vive meio escondido do dia-a-dia das outras pessoas.
Sinto sempre que repito as mesmas palavras, mas são as que conheço e as que chegam mais perto da imensidão que a Inês foi e é em mim: sou quem sou por causa dela. Aprendi que existe, sim, amor incondicional. Aprendi a amar e a ser amada sem ouvir uma palavra do outro lado.
A linguagem é mais do que expressão verbal, e a Inês trouxe com ela todas as expressões de amor.
Talvez seja difícil compreender que, quando a Inês nos deixou, em vez de uma grande tristeza, senti um orgulho imenso. Deram-lhe uns meses; ficou connosco 18 anos - um privilégio.
Éramos quatro filhos e sinto que seremos sempre. O amor que sinto pelo meu irmão e pelas minhas irmãs é maior do que aquele que se aprende nos filmes. Os meus pais foram os super-heróis da Inês, e os meus irmãos foram os meus. Porque existem dinâmicas familiares que vão além da expectativa tradicional, que requerem uma adaptação monstruosa, que destroem e constroem famílias.
E eu devo quase tudo à Inês. Hoje era - e é - o dia dela.
5 de Maio é, para sempre, o dia do ano que representa acordar noutra vida, ainda que na mesma. E talvez nada disto faça sentido para quem me lê, a menos que tenha passado por algo semelhante. Mas tudo isto me faz sentido, porque trago a Inês na pele, no peito, na vida, para sempre.
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E NINGUÉM ME CONVENCE DO CONTRÁRIO 💅🏻💅🏻💅🏻💅🏻💅🏻
O 1.º de Maio nasceu das lutas internacionais dos trabalhadores por melhores condições laborais, especialmente pela jornada de oito horas. Em Portugal, já era assinalado desde o fim do século XIX, mas foi reprimido durante o Estado Novo. Depois do 25 de Abril de 1974, tornou-se feriado nacional e o 1.º de Maio de 1974 ficou como uma das maiores celebrações populares da liberdade recém-conquistada. Hoje, quando o meu tio me disse que o 25 de Abril foi o dia mais feliz da vida dele e que o 1.º de Maio foi o mais bonito, porque todos se abraçavam sem se conhecerem, lembrei-me de que é sangue português que me corre nas veias. Como emigrante que sou, prometo não esquecer de onde vieram os meus. E prometo que os próximos que vierem de mim também não se esquecerão do que são feitos: de um povo para quem abraçar estranhos já foi uma conquista.
01/05/2026
Que bonita a frase que ouvi hoje, quando falávamos do primeiro de Maio. Mais logo já vos vejo a comer uma sardinha por aí. 🎀
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