Homem & Letras
30/12/2016
22 HORAS
Naquela noite surpreendida,
estava eu, cumprindo o meu
lado laboral, como era
normal, peguei no meu
celular, entrei nas redes
sociais e encontrei várias
mensagens dizendo;
adeus , nunca te
esqueceremos, jamais.
Fiquei sem sentido e pensei
que fosse uma brincadeira.
Continuei labutando sem
barreira, sem eira e nem beira,
e sem muita demora, o
telefone vibra, era mais uma
mensagem, desta vez o meu
coração ficou palpitado, e o
Manilson dissera-me que o
Afoloy partiu para os confins
da poeira.
Entreguei-me ao choro,
falei ao Manilson que daqui há
nada estarei na banda, não
demoro, e os gemidos da
minha dor, faziam coros.
Foi naquela noite
surpreendida, as 22 horas,
que foi arrancada de nós uma
querida e inocente vida, e
levaram-lhe para a terra
desconhecida, onde a alma não
é sentida.
Eu chorei nos berços da tia Gia,
chorei noite e dia, exprimindo
a minha nostalgia.
Foi doloroso, assombroso,
tempestuoso, ver o nosso
amigo partir para aquele
mundo silencioso.
22 horas do dia 30 de
dezembro de 2015, que
partiu o nosso amigo, longe
do nosso abrigo, longe dos
perigos, e a sua partida
mexeu comigo.
Adeus Afoloy, não te
esquecemos, o teu nome no
oscilar do tempo escrevemos,
e juntos unidos sempre
seremos , a
marca que jamais deixaremos.
Até um dia compadre, a sua
voz encantava as madres, e o
seu nome ficou na memória
dos padres.
22 horas, tú foste embora,
deixaste muita dor dentro e
fora, e nós ainda te choramos
agora.
Adeus meu bad, deixaste
muita tristeza na nossa
cidade, hoje ficamos na
metade, chorando com tanta
lugubridade.
Afoloy volta, estamos a sua
espera na nossa porta, e até
hoje não acreditamos que a
sua alma está morta.
Escrevemos direito nas linhas
tortas, e o laço que temos por
ti, ninguém corta.
22 horas, a nossa rua ficou
cheia, e as lágrimas escorriam
nas nossas veias.
Adeus afoloy, hoje completas
um ano na terra do nada, a
sua presença nesta terra sempre
será lembrada, a sua ausência
é marcada, e a sua convivência
jamais será apagada.
Adeus kamba diamy, mande
saudações ao man-ngá, ao
man-vavá, ao man-tony, ao
tio Avelino, ao mano
quimbangala, ao valente cabral,
ao tio minguito gonçalves, ao
tio martins, ao tio dodó, ao
vony, ao sedrick, ao nascimento,
ao poeta edson, ao datuga, ao
fimzinho, ao beto tavares, ao
bernardo, à tia flora, a tia bela,
a linda, a cavava, a maguita, a
mana eudosa, a tia rosa, a
avózinha, a lola, a marcelina,
o papá Charles e a mamã
Teresa.
Oh; tristeza!..
Poeta pobre de mim
AVELINO PATRÍCIO
Dedicado ao;
Afonso Antônio José Marques
"Afoloy"
30.12.2015
30.12.2016
IN
A DOR DE UM AMIGO.
17/12/2016
AFOLOY
Procuro-te na santidade do
meu silêncio, busco além,
na vacuidade que germina-me
por dentro, a compreensão da
saudade que ocupa os meus
passatempos.
Afoloy, me perdoa se hoje as
minhas lágrimas formam
lagoas, onde estou, choro
lentamente como garoas e no
preâmbulo da minha
solidão, a brisa pesarosa voa.
Afoloy, onde estás?
Procuro-te nos olhares
lacrimejantes dos Lametcha,
procuro-te no silêncio
melancólico dos Bala e até
mesmo na dor insana dos
Ngondinhos, apenas vejo a
poeira escrevendo o teu nome
nas curvas dos caminhos.
Afoloy, saudade eu sinto, da
sua linda voz que encantava o
vento veloz, no oscilar da minha
foz.
Afoloy, cartas e flores não
serão suficientes para
acalmar as minhas dores, mas
apesar dos pesares: o teu
nome jaz nos meus clamores.
Afoloy, aquele dia trágico,
nostálgico está chegar, e aqui
estou eu, no canto da
saudade para te homenagear.
A vida tem dessas coisas meu
amigo, nascemos, crescemos,
vivemos e morremos, mas
pessoas que fazem parte da
nossa vida nunca
esqueceremos.
Afoloy, prá onde partiste; por
favor, mande saudações para o
man-ngá, para o man-vavá, para
o man-tony, para o tio avelino,
para o tio dodó, para tio martins,
para
o tio minguito gonçalves, para o
valente cabral, para o fim-zinho,
para o poeta edson, para o
beto tavares, para o sedrick, para
o vony, para o nascimento, para
o datuga, para o bernardo, para
o papá Charles, para o mano
quimbangala, para a cavava,
para a avózinha, para a lola,
para a maguita, para a mana
eudosa, para a tia bela, para
a tia flora, para a tia rosa,
para a linda, para
a mãe teresa e para a
marcelina: pois aqui a
saudade me domina!..
Poeta pobre de mim
AVELINO PATRÍCIO.
Dedicado ao Afonso José
Marques "Afoloy"
Lametcha aos; 30.12.2015
22:15
saudades meu amigo.
10/12/2016
A REVOLUÇÃO DO MEU SILÊNCIO
Eles estão de parabéns,
cada vez mais estão crescer
e vivendo bem, mas água,
luz, emprego, saúde e bem
estar social o povo não tem.
Eles não querem saber de
ninguém, e não se importam
com os nossos direitos
também, deixam o povo além,
e nos fazem de reféns.
Parabéns prá eles, ricos
na alma e na péle, tudo é
deles, e até as instituições
públicas depende deles.
Eles controlam tudo, o povo
não pode reclamar, tem que
ficar mudo e a ignorância deles
é tão irritante como ludo.
Eles estão de parabéns,
completaram mais uma
risonha primavera, mas a
escravatura ainda está na
nossa era.
Os distraídos dão muitas
bandeiras, estão a correr atrás
da bebedeira, e quando a festa
acabar, vão ser atirados de
novo na poeira, comendo
moscas e dormindo nas
lixeiras.
Assim é a minha Angola, país
da esmola, com muitas crianças
fora da escola, algumas
dormem ao relento, outras
lavam carros e muitas prá
sobreviverem vendem
sacolas.
Mas eles estão de parabéns
dizem que são milhões, mas
olham o povo como se fosse
superstições e gozam a boa
vida nas suas mansões.
Lá estão eles, comemorando
mais uma data especial,
dançam embriagadamente como
o sol que dança à volta do
carnaval.
Eles vivem nos palácios nobres,
e o povo vive no pantanal.
Assim é a minha Angola, país
da esmola.
Mas eles estão de parabéns,
pois cresceram mais os seus
valores, e distribuíram
melhor as nossas dores!..
Poeta pobre de mim
AVELINO PATRÍCIO.
CIDADE ALTA aos; 10.12.2016
08:47
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